IJCA em São Paulo: desfile no Museu das Favelas exalta a potência da moda negra

Asa Dudu

Moda, identidade e resistência tomaram conta do Museu das Favelas, em São Paulo, na noite do dia 30 de junho, com o desfile de encerramento do programa Asa Dudu, formação com foco em fortalecer empreendedoras negras e afro-indígenas no setor da moda na Grande São Paulo. O evento marcou a celebração da força criativa de mulheres que passaram por um processo de capacitação técnica, mentorias personalizadas para estruturar seus negócios e apoio financeiro. A iniciativa foi realizada pelo Fundo Agbara, o primeiro fundo filantrópico de mulheres negras do Brasil, em parceria com a estilista Mônica Anjos, referência na moda afro-brasileira, e executado pelo Ateliê Transmoras. O programa teve patrocínio da Viação Cometa e do Grupo Soma, via ProAC-SP, e parceria estratégica do Instituto JCA.

O desfile marcou a culminância de uma jornada formativa de 68 horas, que combinou aulas online e presenciais. Na primeira fase, 30 empreendedoras da Grande São Paulo foram selecionadas para aprender com especialistas e aprimorar suas marcas. Dessas, dez foram escolhidas para criar as coleções e apresentar ao público no desfile. As peças exibidas na passarela carregavam símbolos, memórias e referências dos territórios onde vivem, criando narrativas visuais que uniram ancestralidade, estética afro-brasileira, sustentabilidade e inovação.

Karen Cristina, empreendedora do Ateliê Minha Petra 10 e oradora da turma, arrancou aplausos com seu discurso durante o evento. “A cada aula, a cada fala, esse programa foi me estruturando por dentro e por fora. Aqui não teve disputa, teve rede. Aqui não teve competição, teve acolhimento. A gente não se perdeu em nenhum momento. Hoje não é um encerramento, é só o começo”, afirmou Karen, finalizando: “A revolução é preta, é empreendedora, é ancestral e ela já começou”.

Para o Instituto JCA, parceiro do projeto, apoiar o Programa Asa Dudu é uma forma de contribuir com o fortalecimento de trajetórias femininas negras no empreendedorismo criativo. “Acreditamos na potência de iniciativas que promovem inclusão, geram oportunidades reais e impulsionam trajetórias. Essas mulheres já têm uma longa estrada, muita intencionalidade e encontram em outras mulheres a oportunidade de se aprimorarem, se desenvolverem e impulsionar suas iniciativas empreendedoras. O Asa Dudu abre esse espaço e reafirma o compromisso de fortalecer o empreendedorismo feminino negro e ampliar o acesso de mulheres periféricas a espaços de criação, visibilidade e desenvolvimento”, afirma Maysa Gil, diretora-executiva do IJCA.

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