Juventude no centro das políticas públicas

Juventude no centro das políticas públicas

As políticas públicas para a juventude vêm ganhando cada vez mais destaque no cenário nacional. Com mais de 47 milhões de brasileiros entre 15 e 29 anos, segundo dados da plataforma QEdu Juventude e Trabalho, pensar em estratégias que atendam às necessidades desse grupo é fundamental. No entanto, os desafios ainda são grandes: desemprego, evasão escolar, violência e falta de acesso à cultura e lazer continuam a marcar a realidade de muitos jovens.

Essas políticas públicas são um conjunto de ações e programas promovidos pelo Estado para garantir direitos e oportunidades para os jovens. A partir do Estatuto da Juventude (Lei n°12.852), sancionado em 2013, esses direitos foram oficialmente reconhecidos e organizados em 11 eixos, como o direito à cidadania, à educação, à profissionalização, à saúde e à diversidade.

Avanços recentes e novas adesões

No dia 16 de junho, a Universidade Federal Fluminense (UFF), no campus Gragoatá, em Niterói (RJ), recebeu a Caravana das Juventudes, uma iniciativa do Governo Federal que percorre diferentes regiões do país para ouvir jovens, dialogar com gestores e promover ações que aproximem as juventudes das políticas públicas.

A programação desta edição incluiu uma feira temática, um seminário sobre o Plano Nacional de Juventude, apresentação de iniciativas federais voltadas aos jovens, além de ato público com assinatura de termos de adesão ao Sistema Nacional de Juventude e ao Plano Juventude Negra Viva.

Durante o evento, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo,  a ministra do Ministério da Igualdade Social, Anielle Franco e o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), firmaram um acordo de cooperação técnica para fortalecer a participação social dos jovens no município. Os documentos estabelecem ações integradas com a Política Nacional de Participação Social, incentivando o protagonismo juvenil nas decisões públicas e no desenvolvimento de políticas locais.

Na mesma ocasião, Niterói oficializou sua adesão ao Plano Juventude Negra Viva (PJNV) — uma política de enfrentamento à violência contra a juventude negra e de promoção da equidade racial. “O Plano Juventude Negra Viva tem um recorte que não é só pensar na diminuição da violência, mas é pensar no jovem na escola, no jovem com saúde, o jovem com emprego”, afirmou Anielle Franco, durante a cerimônia.

Políticas que ampliam o acesso e garantem direitos

Além das iniciativas voltadas à participação e ao enfrentamento das desigualdades, há políticas públicas que buscam ampliar o acesso a direitos fundamentais. O Programa Identidade Jovem (ID Jovem), por exemplo, oferece a jovens de baixa renda o benefício da meia-entrada em eventos culturais e esportivos, além de passagens gratuitas ou com desconto no transporte interestadual. 

No âmbito da educação, programas como o SISU, o ProUni e o FIES seguem sendo ferramentas importantes de democratização do acesso ao ensino superior. Já em Niterói, a iniciativa do Aluguel Universitário assegura apoio financeiro para estudantes de baixa renda, possibilitando sua permanência em instituições de ensino da cidade. 

Conheça também: Guia de Acesso às Universidades Públicas

A importância da participação social juvenil

Para Kenia Costa, analista de projetos sociais do Instituto JCA, iniciativas como a Caravana das Juventudes são fundamentais porque promovem o diálogo direto entre juventudes de diferentes territórios, gestores públicos e sociedade civil. Ela ressalta, porém, que mais do que criar políticas voltadas para a juventude, é preciso colocar os jovens no centro das decisões que afetam suas vidas. “Para que esses espaços cumpram seu papel, é essencial que os jovens saibam que eles existem, sintam-se parte e sejam incentivados a participar ativamente”, afirma.

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