As últimas duas décadas marcaram uma virada histórica no ensino superior brasileiro. A implementação das políticas de cotas, do Sisu, do ProUni, do FIES e do Política Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes) inaugurou uma fase de democratização, permitindo que jovens de periferia pudessem sonhar, e conquistar, uma vaga na universidade.
Esse cenário esteve no centro das discussões durante o lançamento do relatório Juventude Popular nas Universidades, da Casa Fluminense. O documento traz uma análise robusta sobre a trajetória dos pré-vestibulares populares do Rio de Janeiro e o papel decisivo que eles desempenham na formação de novas gerações universitárias. O material recupera a linha do tempo das políticas afirmativas e evidencia como sua adoção rompeu barreiras estruturais, sobretudo para jovens negros, moradores de territórios periféricos.
Durante o evento, coordenadores e educadores ressaltaram que o avanço do acesso só foi possível graças a uma combinação de políticas públicas e mobilização comunitária. “Entendemos que se quiséssemos enfrentar desigualdades e pensar como poderíamos ampliar a nossa estratégia de fortalecimento territorial, não poderíamos dialogar com os grupos que estavam debatendo transporte, saneamento, segurança e cultura. Nós precisávamos estar em diálogo com os grupos que estão presentes nos territórios e construindo processos, de fato, de acesso à educação”, explica Larissa Amorim, coordenadora executiva da Casa Fluminense, durante o lançamento.
Além disso, a política de cotas, hoje consolidada e revalidada, foi apontada como um divisor de águas na ampliação do ingresso de estudantes negros, indígenas e de escolas públicas. Já o ProUni e o FIES contribuíram decisivamente para que jovens da rede pública chegassem também ao ensino superior privado, antes inacessível para a maioria dessas famílias.
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Ingresso e permanência no Ensino Superior
Todavia, como reforçado em diversas falas ao longo do evento, entrar na universidade não basta. Permanecer e concluir o curso ainda é o maior desafio para estudantes em situação de vulnerabilidade social. É nesse ponto que o Política Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes) ganha centralidade, oferecendo suporte como moradia estudantil, alimentação, transporte e bolsas, garantindo condições mínimas para que esses jovens se sustentem na universidade.
O relatório também destaca que pré-vestibulares populares cumprem um papel importante nessa jornada. Em seus territórios, esses coletivos oferecem preparação acadêmica, apoio emocional, acolhimento, alimentação, ajuda para transporte e acompanhamento durante toda a trajetória de ingresso. Essas ações cumprem o papel de reduzir a evasão nesses espaços, apontada como o principal obstáculo pelos educadores presentes no evento.
“Valorizar e fomentar os pré-vestibulares populares é essencial para que essas iniciativas sigam atuando em seus territórios, gerando oportunidades para profissionais da educação, fortalecendo equipamentos públicos e, sobretudo, colocando a juventude popular nas universidades!”, é o que aponta o relatório.
Para continuar avançando nessa pauta
Em diálogo com esse tema, o Instituto JCA reúne, no Guia de Acesso e Permanência nas Universidades, um panorama dos principais programas, benefícios e ações de apoio estudantil disponíveis nas principais universidades do Rio de Janeiro. O e-book é gratuito e apresenta informações práticas para quem deseja ingressar e se manter no Ensino Superior.
