Dedicação para superar desafios

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Aisha Alecrim tem 14 anos e mora com a mãe e as irmãs no Arsenal, em São Gonçalo. Diariamente, ela acorda, toma café da manhã e se senta para estudar. Sem aulas presenciais devido a pandemia, a jovem que cursa o 9º ano do ensino fundamental escola da rede pública, faz as apostilas disponibilizadas pelo colégio e assiste vídeos de aulas online. O dia a dia poderia ser mais simples, na visão da jovem, se não fosse a necessidade, por exemplo, de dividir o celular da mãe com as irmãs para as aulas. “Antes de eu ganhar o computador através de uma ação do IJCA, era assim que a gente estudava. Às vezes tinha que parar a aula para atender uma ligação mais urgente”, conta. Aisha tem se dedicado aos estudos e, segundo a jovem, já percebe os resultados. “Estou melhorando a cada dia e conseguindo entender as matérias. Faço os exercícios, assisto os vídeos e presto muita atenção nas aulas do IJCA”, complementa.

Aisha participa do Reforço Escolar, do Fortalecendo Trajetórias, e a ação a que se refere foi o direcionamento para algumas famílias de doações de computadores recebidos pelo IJCA.  A realidade de falta de equipamentos ou de internet para estudar, no entanto, não é só da Aisha. De acordo com a Pesquisa Nacional de Amostras de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, em 2019, cerca de 4,3 milhões de estudantes em todo o país não tinham acesso à internet, seja por razões econômicas ou indisponibilidade do serviço onde vivem. Desse total, pelo menos 4,1 milhão são da rede pública. Os dados foram levantados no último trimestre de 2019 e divulgados em março deste ano.

Janaína Silva, mãe de Aisha, é agente comunitária de saúde há mais de 20 anos. Além de se dedicar ao trabalho e à organização da casa, ela monitora os estudos das filhas. “Eu sou ‘a chata’. Fico monitorando os horários e incentivando a estudar. Acompanho para saber se está fazendo mesmo a aula. Brinco que sou a secretária dela: quando ela está estudando, eu abasteço a água, faço o lanche [risos]. Mas eu acredito que esse é um apoio importante para os filhos. Eu não tive isso e acho que poderia ter me ajudado. Sou a chata do bem”, explica Janaína.

Quando questionadas sobre o futuro, mãe e filha têm respostas semelhantes: estudar em uma boa escola e chegar à universidade. “O que eu mais sonho é que minha filha consiga uma vaga em uma escola boa, para ter condições para fazer faculdade. É o meu maior sonho”, afirma Janaína. Mesmo ainda em dúvida sobre qual curso escolher, Aisha quer chegar ao ensino superior. “Para o futuro, eu quero fazer uma boa faculdade. Penso em cursar Medicina Veterinária”, comenta.

Fortalecendo Trajetórias

O Reforço Escolar está sendo oferecido em formato online, em uma versão piloto nessa modalidade para 61 alunos da rede pública de ensino. Therezinha Doin, coordenadora pedagógica do IJCA, observa que os principais desafios para os jovens são o acesso à internet e equipamentos de boa qualidade, a utilização da plataforma e a defasagem pedagógica. “Sem internet é impossível estudar nesse formato. Além disso, muitos não tiveram todos os conteúdos nos anos anteriores, o que aponta a necessidade de rever esses assuntos para que o aluno aprenda”, afirma.

A equipe do IJCA conduz um atencioso trabalho de acompanhamento dos jovens que participam do Reforço Escolar. Therezinha Doin realiza reuniões mensais com a turma para uma escuta ativa do andamento do curso na visão dos jovens e identificar dificuldades. Com as professoras, os encontros são realizados para discutir os pontos de atenção e traçar estratégias pedagógicas. “Faço esses encontros por turma, escutando cada um dos alunos, que fazem uma autoavaliação e apontam suas dificuldades e desafios. Com as professoras as adaptações nas práticas pedagógicas adotadas”, explica Therezinha.

Os jovens e suas famílias também recebem um acompanhamento sócio-pedagógico, que eram realizados nas formações presenciais e continuam ocorrendo na modalidade remota. No caso do Reforço Escolar, os jovens e suas famílias passarão por entrevistas individuais com a equipe do instituto para fortalecer vínculos e ampliar o diálogo. “Com as entrevistas, queremos aprofundar as informações que recebemos nos questionários de inscrição e conhecer um pouco mais a realidade desses jovens e suas famílias. Desta forma, é possível identificar vulnerabilidades e traçar estratégias de acompanhamento em conjunto com a família”, explica Kenia de Oliveira, analista de projetos do IJCA. 

Para Therezinha, um ponto de destaque do Reforço Escolar é que, para além dos conteúdos, a proposta é apresentar aos jovens o valor do conhecimento. “Mesmo sem as características das versões anteriores, estamos apoiando os jovens a acompanhar os conteúdos da escola, ao mesmo tempo que os motivamos e inspiramos a estudar, desenvolver hábitos de estudo e organizar um cronograma. Isso ajuda os jovens a terem mais autonomia”, afirma.

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